Remuneração Long Tail
Grande parte do conteúdo da internet já é gerado pelos próprios internautas. Aplicação prática dos conceitos da internet 2.0. Uma mudança nos hábitos que ainda vai gerar muitas outras mudanças e tendências no universo da comunicação. Não só no que diz respeito à geração de informação, mas também na forma de anunciar, investir e faturar.
Nesse cenário temos uma nova tendência emergente que está sendo detectada em função dessa inversão democrática de autoria e controle de conteúdo. Não é propriamente uma mudança, mas sim uma conseqüência de todo esse movimento.
Os atuais consumidores da grande rede geram e consomem seus próprios conteúdos, movimentando um mundo de informação nos mais diversos segmentos. Não há dúvida que todo esse conteúdo espontâneo é um grande gerador de audiência e muito provavelmente poderá ser o maior, em um futuro bem próximo.
Não precisa trabalhar com comunicação para saber que audiência é dinheiro. Eis que surge como tendência à possibilidade de recompensa e até de remuneração dessa audiência que se constrói de maneira descentralizada.
Esses talentosos consumidores geradores de conteúdo serão procurados pelos anunciantes, portais e sites em geral, gerando uma avalanche de programa de recompensas, renda compartilhada de negócios e até mesmo simples presentes para remunerar esses consumidores criativos.
Essa fusão da remuneração com o conteúdo gera valor em duas frentes. A primeira é na capitalização do espaço de divulgação da mensagem. Mídia pura e simples que iremos chamnar de ESPAÇO.
A segunda é quando o próprio conteúdo da mensagem, de forma intencional ou subliminar, é favorável, gera consciência ou simplesmente dá recall à determinada marca. Este frante chamaremos de CONTEÚDO.
A primeira frente (ESPAÇO) fica evidente quando pegamos como exemplo a Google, em particular o GoogleVideo. O site já possui um projeto experimental que oferece parte da renda dos links patrocinados, independente dos cliques, aos autores dos vídeos mais populares.
Ora, se um cara publica um vídeo que consegue uma audiência maior que um capitulo da novela das 8, alguém está ou poderá ganhar algum dinheiro com isso. E nada mais justo que esta receita seja dividida com os autores.
Ainda dentro do universo do vídeo, invertendo a lógica, temos o YouTube. Recentemente adquirido pelo Google por módicos U$ 1,65 bilhões, o site fechou uma parceria com a CBS para disponibilizar programetes de assuntos variados. A CBS produz e comercializa; o YouTube disponibiliza o material e recebe um percentual do volume anunciado proporcional à audiência.
Para ilustrar a segunda frente de valor, referente ao conteúdo, temos como exemplo os blogs produzidos pelos evangelizadores de marca. A Coca-Cola, por exemplo, oferece para os estudantes mais “populares” viagens aos grandes eventos mundiais patrocinados pela marca. É necessário apenas que o felizardo consumidor mantenha atualizado um blog com a sua rotina da viagem. Recheada, claro, de muita Coca-Cola.
Ainda com a Coca-Cola temos o clássico Menthos x Coca-Cola Light. A brincadeira maluca possui mais de 1.000 horas de vídeo e uma infinidade de espectadores sem nenhum investimento das duas companhias. Gera consciência? Não sei, mas não há dúvida que dá um violento recall às duas marcas.
Outro refrigerante também tirou vantagem aparentemente sem propósito de mais um clássico da web. Um dos vídeos mais assistidos do YouTube, o Dance Evolution, tem o seu dançarino vestindo uma camisa da Crush. Imagine quanto a Pepsi não pagaria para ter sua marca impressa nessa camisa?
Independente da frente utilizada ou ainda da união dos dois formatos, o fato é que a web 2.0 descentraliza a geração de conteúdo e esse conteúdo pulverizado será responsável pela maioria absoluta da audiência. Essa audiência é importante para as marcas que estão dispostas a pagar por ela.
Do outro lado temos os consumidores criativos da rede que estão ganhando consciência do seu valor e não têm vergonha de serem remunerados ou beneficiados por isso. Com todo esse movimento podemos estar inaugurando, através desta tendência, a remuneração long tail da mídia na internet.
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