quinta-feira, julho 20, 2006

Meu horário Nobre quem faz sou eu

Durante a ExpoManagement, ano passado, o professor Peter Sealey falou sobre um fenômeno inscipiente no Brasil mas que já está assombrando fortemente os publicitários e marketeiros americanos: a decadência da televisão.

A mídia setuagenária criada na primeira metade do século passado, que ganhou força após a Segunda Grande Guerra, está sem fôlego. Um vovô engolido pelo surgimento de novos rapazes eletrônicos, como internet, e aparelhos DVRs, que apagam automaticamente os anúncios ao gravar um programa.

Segundo os números que ele próprio apresentou, as pessoas gastam, em média nos EUA, 17 horas por semana na internet, contra 14 horas em frente ao aparelho de televisão. Só os videogames consomem mais oito horas semanais. Detalhe, nada disso, internet e videogames, existia há 10 e 15 anos atrás, respectivamente.

Pois é, a internet realmente nos acostumou muito mal. Ampliou o acesso e nos deu poder de escolha. Nos libertou do horário nobre coletivo e criou o horário nobre pessoal. Joe Cappo em seu livro o Futuro da Propaganda diz que nosso cotidiano não aceita mais a rigidez de horário da grade televisiva. Quem consegue estar em casa as oito da noite em frente da TV? Quem fica até tarde esperando o último jornal da noite para ver os gols da rodada?

Sentar no sofá da sala as oito da noite é quase uma lenda, pelo menos para mim. Trabalho, aulas, academia, chope... Muitas atividades e pouco tempo. Já ficar até tarde esperando os gols, eu até que ficava. Não fico mais. Falo isso porque antes de começar o saudoso Mundial da Alemanha, li uma notícia que, entre o amistoso da Polônia e Colômbia, realizado um pouco antes do início da competição, houve um gol de goleiro. Era só o que a turma da pelada do sábado falava na agência. Fiquei louco para ver o tal gol, mas perdi o telejornal. E agora? O que fazer?

Agora é só acessar, pela manhã ou no seu horário nobre, o Youtube.com e procurar "goalkeeper Poland Colombia" (em português: goleiro polônia colômbia). 10 opções apareceram na tela em exatos 0,29 segundos. Mais rápido que um break comercial, que ironia. Matei minha vontade. Assisti. Assisti de novo. Várias vezes. E foi assim com os lances de maior interesse da Copa. A cabeçada de Zidane então, nem se fala, virou até webgame no site do Corriere della Sera (www.corriere.it) já no dia seguinte a final.

No dia em que a "audiência" conhecer o Youtube.com, para lance de futebool virar capítulo de novela é questão de tempo. Tempo para alguém gravar a exibição do folhetim, colocar no site e esperar o horário nobre de cada um que quiser assistir.

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